Nos últimos anos, a indústria de alimentos para animais de estimação tem experimentado um crescimento exponencial, impulsionado pelo aumento da conscientização dos proprietários sobre a importância da nutrição adequada para seus animais de estimação. Esse setor dinâmico e em expansão, no entanto, está rapidamente se tornando um campo altamente competitivo, onde as empresas buscam incessantemente inovações para oferecer produtos de alta qualidade que atendam às demandas específicas dos consumidores.

A competitividade acirrada no mercado pet food não apenas destaca a necessidade de diferenciação e excelência na formulação de alimentos para animais de estimação, mas também enfatiza a importância de validar a eficácia dessas formulações. Um dos métodos cruciais para avaliar a qualidade nutricional dos alimentos para animais de estimação é a realização de ensaios de digestibilidade e avaliação do escore fecal.

Dois parâmetros essenciais para o lançamento de alimentos para Cães e Gatos

O ensaio de digestibilidade é uma ferramenta crucial na avaliação da eficiência com que os animais utilizam e absorvem os nutrientes contidos nos alimentos. Este método proporciona uma compreensão profunda da capacidade de digestão e absorção de nutrientes essenciais, sendo fundamental para otimizar as formulações de dietas e garantir a nutrição adequada dos seres vivos. Ao analisar a taxa de digestibilidade de diversos componentes presentes nos alimentos, como proteínas, gorduras e amido, o ensaio de digestibilidade contribui significativamente para o desenvolvimento de estratégias alimentares mais eficientes e sustentáveis, beneficiando os produtos pet food.

A avaliação do escore fecal em cães e gatos é um método prático e valioso para monitorar a digestibilidade dos alimentos consumidos por esses animais. O escore fecal refere-se à consistência e aparência das fezes, sendo uma indicação visual da saúde gastrointestinal e da eficiência digestiva. Este método envolve a atribuição de uma pontuação apropriada às fezes, geralmente em uma escala que varia de 1 a 5, com base em características como consistência, coloração e formato.

Quando aplicado a estudos de digestibilidade de alimentos para cães e gatos, o escore fecal desempenha um papel crucial. Fezes bem formadas e com consistência adequada indicam uma boa absorção de nutrientes no trato gastrointestinal. Por outro lado, fezes excessivamente moles, diarreia ou outras anormalidades pode ser atribuído a má digestibilidade da dieta.

A avaliação do escore fecal é frequentemente realizada em estudos de alimentação experimental, nos quais os animais são submetidos a diferentes dietas. Comparando os escores fecais ao longo do tempo, os pesquisadores podem inferir a digestibilidade relativa de diferentes ingredientes ou formulações alimentares. Dietas que resultam em fezes mais bem formadas e consistentes geralmente indicam uma melhor utilização dos nutrientes presentes nos alimentos.

A avaliação visual do escore fecal pode complementar a avaliação da digestibilidade. Essa abordagem oferece uma compreensão mais abrangente do impacto dos alimentos na saúde gastrointestinal dos cães e gatos, permitindo ajustes nas formulações para otimizar a nutrição e a digestibilidade, promovendo assim a saúde e o bem-estar dos animais de estimação.

Avaliar esses parâmetros antes do lançamento de um alimento pet para o mercado pode te trazer vantagens na comparação com concorrentes, avaliar o processamento se foi feito corretamente, e identifica a tempo a necessidade de mudanças em formulações.

Uma demonstração na prática, seria o excesso de carboidratos na dieta, por exemplo, que leva a uma fermentação lática acentuada e as fezes apresentam-se pastosas com coloração clara e cheiro ácido (sem cheiro de podre). O mesmo ocorre quando a ração é mal processada. Normalmente, para a fabricação de ração seca, utiliza-se um processo chamado de extrusão, o qual consiste em aplicar vapor e pressão a uma massa farelada, formando aqueles grânulos que chamamos tecnicamente de “kibbles”. Neste processo o amido é fundamental, pois é ele que faz a ração expandir, entretanto, se neste processo o amido não sofrer uma boa cocção (ou gelatinização) corre-se o risco de provocar uma diarreia osmótica no animal alimentado com a ração em questão.

A utilização de ingredientes com menor digestibilidade impacta diretamente o escore fecal. Ingredientes como o farelo de soja, amplamente utilizados na fabricação de alimentos standart ou econômicos para animais de companhia, contém 20% de polissacarídeos não amiláceos (PNA). Os PNA solúveis podem reduzir a digestibilidade dos nutrientes e energia da dieta, devido ao aumento da viscosidade do trato gastrintestinal (TGI) e à redução do tempo de passagem do alimento, dificultando o acesso das enzimas digestivas ao bolo alimentar e interferindo na difusão e no transporte dos nutrientes, resultando em fezes amolecidas e em grande quantidade.

Para minimizar os efeitos adversos dos ingredientes com menor digestibilidade, pode-se restringir a utilização deles em pequenas inclusões, ou pode-se utilizar aditivos, tipo enzimas e/ou adsorventes. No caso de dietas com matérias-primas ricas em PNA e sua influência sobre as características fecais de cães e gatos por exemplo, a inclusão de aditivo adsorvente como o CELPEC® ajusta o escore fecal da dieta, uma vez que este aditivo ao passar inerte pelo TGI adsorve água e gases e reduze a eliminação de amônia, o que melhora as características e odores fecais dos animais.

CELPEC® – Aditivo Alimentar para Animais de Companhia

O escore fecal do animal após consumir uma ração desempenha um papel significativo na satisfação do consumidor e pode influenciar diretamente a decisão de recompra. Assim a digestibilidade e consistência do escore fecal reforça a confiança do consumidor no produto. Se a ração proporciona uma digestão saudável e regular, os proprietários tendem a associar essa qualidade à marca, fortalecendo assim a lealdade do cliente.

Elaborado por:
Ludmila Barbi Trindade Bomcompagni

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